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Suicídio na adolescência: sinais de alerta e como os pais podem ajudar

  • liucrispsi
  • 2 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 20 de mai.


Falar sobre suicídio na adolescência não é fácil. É um tema que desperta medo, angústia e, muitas vezes, a vontade de evitar a conversa. Ainda assim, falar sobre isso é necessário.

Cada vez mais adolescentes têm enfrentado sofrimento emocional intenso, mas muitos não conseguem expressar o que estão vivendo de forma clara. Em vez de pedir ajuda diretamente, o sofrimento pode aparecer através do isolamento, da irritabilidade, da apatia ou de mudanças bruscas de comportamento.

Com frequência, esses sinais são confundidos com “drama”, “rebeldia” ou apenas “coisas da idade”. E é justamente aí que mora o perigo.

Por trás de muitos comportamentos considerados exagerados existe um adolescente tentando lidar sozinho com dores emocionais que parecem insuportáveis.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio está entre as principais causas de morte entre adolescentes e jovens em diversos países. Mas antes dos números, existem histórias marcadas por sofrimento, solidão, sensação de inadequação e falta de acolhimento emocional.

Por que alguns adolescentes pensam em suicídio?

A adolescência é uma fase de intensas transformações emocionais, físicas e sociais. É o período em que o jovem tenta construir sua identidade, encontrar pertencimento e compreender o próprio lugar no mundo.

Para muitos adolescentes, porém, esse processo acontece junto de dores emocionais profundas.

Entre os fatores que podem contribuir para pensamentos suicidas estão:

  • conflitos familiares constantes;

  • bullying ou exclusão social;

  • pressão excessiva relacionada à escola ou desempenho;

  • abuso físico, psicológico ou sexual;

  • dificuldades relacionadas à identidade de gênero ou orientação sexual;

  • sentimentos persistentes de rejeição, fracasso ou inadequação;

  • transtornos mentais como depressão, ansiedade, TDAH e transtornos de humor.

É importante compreender que, na maioria das vezes, o adolescente não deseja necessariamente acabar com a própria vida. O que ele deseja é interromper uma dor emocional que sente não conseguir suportar.

Sinais de alerta que merecem atenção

Nem sempre o adolescente vai dizer diretamente que está pensando em suicídio. Muitas vezes, o sofrimento aparece através de mudanças de comportamento que precisam ser observadas com cuidado.

Alguns sinais importantes incluem:

  • isolamento excessivo;

  • perda de interesse por atividades que antes gostava;

  • mudanças bruscas de humor;

  • queda no rendimento escolar;

  • alterações importantes no sono ou alimentação;

  • descuido com a própria aparência;

  • falas frequentes sobre morte, desaparecer ou “não fazer falta”;

  • automutilação ou ferimentos recorrentes;

  • despedidas incomuns ou entrega de objetos importantes;

  • frases como: “Vocês estariam melhor sem mim” ou “Eu não aguento mais.”

Esses sinais não devem ser tratados como manipulação, exagero ou “fase adolescente”. Eles indicam sofrimento emocional e precisam ser levados a sério.

Como os pais e responsáveis podem ajudar?

1. Escute sem julgamento

Muitos adolescentes têm medo de serem criticados, invalidados ou incompreendidos. Por isso, a forma como os adultos reagem faz diferença.

Mais importante do que encontrar respostas imediatas é oferecer presença e escuta.

Frases simples podem abrir espaço para o diálogo:

"Percebo que você está sofrendo e quero entender como posso te ajudar."

"Você não precisa enfrentar isso sozinho."

Nem sempre o adolescente conseguirá falar tudo naquele momento, mas sentir que existe alguém disposto a ouvir já pode diminuir a sensação de solidão.

2. Leve qualquer sinal a sério

Falas relacionadas à morte, desistência da vida ou sensação de inutilidade nunca devem ser ignoradas.

Mesmo quando parecem ditas “no impulso”, elas revelam sofrimento emocional real.

Esperar que o adolescente “melhore sozinho” pode aumentar os riscos e aprofundar o isolamento.

3. Procure ajuda profissional

O acompanhamento psicológico é fundamental nesses casos.

A psicoterapia oferece ao adolescente um espaço seguro para expressar emoções, compreender o que está vivendo e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com a dor emocional.

Em algumas situações, o acompanhamento psiquiátrico também pode ser necessário.

Buscar ajuda não significa fraqueza familiar. Significa cuidado.

4. Fortaleça o vínculo emocional

Adolescentes que se sentem acolhidos, pertencentes e emocionalmente aceitos costumam desenvolver mais recursos para enfrentar momentos difíceis.

Pequenos gestos fazem diferença:

  • demonstrar interesse genuíno pelo que ele sente;

  • passar tempo de qualidade juntos;

  • validar emoções sem minimizar a dor;

  • reforçar que ele é importante e amado.

Mesmo quando o adolescente parece distante ou fechado, a presença afetiva continua sendo essencial.

O papel da psicoterapia

A psicoterapia ajuda o adolescente a organizar sentimentos, compreender suas emoções e construir novas formas de enfrentamento emocional.

Além disso, o processo terapêutico também pode auxiliar a família a melhorar a comunicação, fortalecer vínculos e aprender maneiras mais saudáveis de lidar com os conflitos e o sofrimento emocional.

Falar pode salvar vidas

O suicídio na adolescência é um tema delicado, mas o silêncio não protege.

O que protege é a escuta, o acolhimento, a presença e o acesso ao cuidado adequado.

Estar atento aos sinais e buscar ajuda precocemente pode fazer toda a diferença.

Nenhum adolescente deveria enfrentar a própria dor sozinho.


Lilian Guedes – Psicóloga (CRP 22/458)Especialista em psicologia do adolescente e psicoterapia infantojuvenilAtendimento presencial em Salvador (BA) e online para todo o Brasil.


Se você percebe sinais de sofrimento emocional no seu filho ou filha, procure ajuda. Cuidar da saúde emocional também é uma forma de proteger a vida.


 
 
 

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