Autolesão na Adolescência : o que os pais precisam saber para agir com cuidado
- liucrispsi
- 25 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de mai.
Quando um filho se machuca: como os pais podem lidar com a autolesão na adolescência
Descobrir ou perceber que um filho está se machucando intencionalmente costuma ser uma experiência extremamente dolorosa para qualquer família. É comum que os pais sintam choque, medo, culpa, tristeza ou até desespero diante da situação.
Antes de qualquer reação, é importante compreender algo essencial: a autolesão não é “frescura”, rebeldia ou simples busca por atenção. Trata-se de um sinal de sofrimento emocional que merece acolhimento, compreensão e cuidado.
O que é autolesão?
A autolesão é o ato de machucar o próprio corpo de forma intencional , por meio de cortes, arranhões, queimaduras ou outras formas de agressão física , sem a intenção direta de suicídio.
Embora não tenha, necessariamente, o objetivo de tirar a própria vida, esse comportamento representa um importante sinal de alerta e precisa ser levado a sério.
Em muitos casos, a autolesão surge como uma tentativa de lidar com emoções intensas, angústias difíceis de expressar ou dores emocionais que parecem impossíveis de suportar.
“Para alguns adolescentes, machucar o corpo se torna uma tentativa de aliviar aquilo que está difícil demais de sustentar por dentro.”
Por que a autolesão acontece?
Não existe uma única causa para a autolesão. Normalmente, ela está relacionada a diferentes fatores emocionais e experiências de vida que se acumulam ao longo do tempo.
Entre os motivos mais frequentes estão:
dificuldade em lidar com emoções como tristeza, raiva, culpa ou rejeição;
sensação de vazio, solidão ou desconexão emocional;
baixa autoestima e autocrítica intensa;
experiências de bullying, negligência emocional, abuso ou outros traumas;
necessidade de sentir algo diante da apatia emocional;
influência de conteúdos nas redes sociais que romantizam ou reforçam esse comportamento.
A autolesão também pode estar associada a quadros de ansiedade, depressão, transtornos emocionais ou vivências traumáticas. Ainda assim, cada adolescente possui uma história singular e precisa ser compreendido em sua própria realidade.
O que os pais devem evitar?
Diante da descoberta, algumas reações impulsivas podem aumentar o sofrimento do adolescente e dificultar o diálogo.
Procure evitar:
ignorar ou fingir que não percebeu;
reagir com gritos, punições ou ameaças;
minimizar a dor com frases como “isso é drama” ou “vai passar”;
expor o adolescente para familiares ou terceiros como forma de punição;
buscar culpados imediatamente, desviando o foco do cuidado.
O silêncio, o julgamento e a crítica costumam intensificar a culpa e o isolamento.
Como os pais podem ajudar?
1. Acolha antes de corrigir
Mesmo sentindo medo ou insegurança, tente se aproximar com calma.
Frases simples podem abrir espaço para o diálogo:
“Eu percebi que você está sofrendo e isso me preocupa. Quero entender o que está acontecendo e te ajudar.”
“Você não precisa enfrentar isso sozinho. Nós vamos cuidar disso juntos.”
O objetivo inicial não é obter respostas rápidas, mas mostrar presença e disponibilidade.
2. Escute sem julgamento
Muitas vezes, o adolescente já sente vergonha ou culpa pelo que está vivendo.
Escutar com atenção, sem interrogatórios ou acusações, favorece a construção de confiança. Nem sempre ele conseguirá falar imediatamente — e isso também precisa ser respeitado.
3. Procure ajuda profissional
A psicoterapia pode oferecer um espaço seguro para que o adolescente compreenda seus sentimentos, elabore conflitos emocionais e encontre maneiras mais saudáveis de lidar com a dor.
Quanto mais cedo houver acompanhamento adequado, maiores são as possibilidades de cuidado e prevenção.
Se houver falas sobre morte, risco de suicídio ou agravamento importante do quadro, o atendimento emergencial deve ser buscado imediatamente.
4. Fortaleça os vínculos e a rotina
A presença emocional da família faz diferença no processo de recuperação.
Pequenos gestos cotidianos como conversar, compartilhar momentos, demonstrar interesse genuíno e oferecer previsibilidade, ajudam o adolescente a sentir segurança e pertencimento.Mais do que vigiar, é importante construir conexão.
5. Observe o uso das redes sociais
As redes sociais podem ser fonte de apoio, mas também de exposição a conteúdos que reforçam sofrimento ou romantizam a autolesão.
O ideal é conversar sobre o que o adolescente consome, orientando e acompanhando sem recorrer apenas à proibição.
Um sofrimento que precisa ser escutado
A autolesão pode ser compreendida como um pedido silencioso de ajuda.
Para os pais, é uma experiência difícil e muitas vezes assustadora. Ainda assim, o momento pede menos culpa e punição — e mais escuta, cuidado e ação.
Com apoio psicológico, fortalecimento dos vínculos familiares e tempo, é possível construir novas formas de expressão emocional que não passem pela dor física.
“Machucar o corpo não precisa ser a única forma de aliviar a dor. Existem caminhos de cuidado, escuta e reconstrução e ninguém precisa percorrê-los sozinho.”
Lilian Guedes – Psicóloga (CRP 22/458)Especialista em psicologia do adolescente e psicoterapia infantojuvenil Atendimento presencial em Salvador (BA) e online para todo o Brasil.
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