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Ansiedade na Adolescência: Quando o Coração acelera sem aviso

  • 13 de mai. de 2024
  • 3 min de leitura


A adolescência é um período marcado por descobertas, mudanças e muitos desafios. As emoções costumam ganhar intensidade, os vínculos se transformam e a necessidade de pertencimento passa a ocupar um lugar importante na vida do jovem. Ao mesmo tempo, surgem cobranças relacionadas ao desempenho escolar, à aparência, aos relacionamentos e às escolhas para o futuro.

Em meio a tudo isso, sentir medo, insegurança ou preocupação é esperado. Faz parte do desenvolvimento.

Mas existe um momento em que essas emoções deixam de ser passageiras e começam a afetar a rotina, o bem-estar e a forma como o adolescente se relaciona consigo mesmo e com o mundo. Quando isso acontece, pode haver um quadro de ansiedade que merece atenção e cuidado.

O que é ansiedade?

A ansiedade é uma emoção humana natural.Sentir frio na barriga antes de uma prova, nervosismo diante de uma apresentação ou preocupação diante de uma situação importante faz parte da vida e não significa, necessariamente, um problema.

O que diferencia a ansiedade comum do transtorno de ansiedade é a intensidade, a frequência e o impacto que ela provoca.

Quando o adolescente passa a viver em estado constante de alerta, com medo excessivo, preocupação persistente ou dificuldade de relaxar mesmo sem uma ameaça concreta o sofrimento emocional pode começar a comprometer diferentes áreas da vida.

Nem sempre a ansiedade aparece de forma óbvia

Muitas pessoas imaginam a ansiedade apenas como preocupação excessiva, mas ela pode se manifestar de diferentes maneiras. Em alguns adolescentes, o sofrimento aparece através do corpo. Em outros, através do comportamento.

Alguns sinais que merecem atenção incluem:

  • dificuldade para dormir ou sono agitado;

  • pesadelos frequentes;

  • dores no corpo ou no estômago sem causa médica aparente;

  • medo intenso de errar, decepcionar ou ser rejeitado;

  • irritabilidade ou crises de choro;

  • dificuldade de concentração;

  • pensamentos negativos recorrentes;

  • necessidade excessiva de controle;

  • evitação de situações sociais, escolares ou familiares.


Nem sempre o adolescente consegue dizer claramente: “Estou ansioso.” Às vezes, a ansiedade aparece como silêncio, procrastinação, isolamento ou excesso de cobrança consigo mesmo. Por isso, olhar para além do comportamento é importante.

Por que a ansiedade pode aumentar na adolescência?

A adolescência é uma fase de reorganização emocional e psicológica. O jovem começa a construir sua identidade, questionar valores, lidar com mudanças no corpo e buscar maior autonomia. Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de aceitação social e o medo de não corresponder às expectativas. Somam-se a isso outros fatores comuns da atualidade:

  • pressão acadêmica;

  • expectativas familiares;

  • conflitos interpessoais;

  • medo de rejeição;

  • exposição constante às redes sociais e comparações.

Em muitos casos, o adolescente sente que precisa dar conta de tudo sozinho e quando não encontra espaço para expressar vulnerabilidades ou pedir ajuda, a ansiedade pode se intensificar.

O impacto da ansiedade na vida do adolescente

Quando não identificada ou acolhida, a ansiedade pode interferir significativamente no cotidiano. O adolescente pode começar a evitar situações que geram desconforto, perder interesse por atividades antes prazerosas, apresentar queda no rendimento escolar ou desenvolver dificuldade nos relacionamentos. Em alguns casos, o sofrimento pode vir acompanhado de baixa autoestima, crises de pânico, sintomas depressivos ou sensação constante de incapacidade. Por isso, ansiedade não deve ser vista como exagero, fraqueza ou falta de esforço. É uma experiência emocional real e, muitas vezes, silenciosa.

Como a psicoterapia pode ajudar?

A psicoterapia oferece um espaço seguro para que o adolescente possa falar sobre aquilo que sente sem medo de julgamento. No processo terapêutico, ele aprende a reconhecer emoções, compreender gatilhos, desenvolver estratégias de enfrentamento e fortalecer recursos emocionais importantes para lidar com as dificuldades do dia a dia. Mais do que reduzir sintomas, o acompanhamento psicológico favorece autoconhecimento, autoestima e construção de uma relação mais saudável consigo mesmo. Quando necessário, o trabalho também pode incluir orientação e diálogo com a família, fortalecendo o ambiente de apoio ao adolescente.

Falar é um passo importante

Ansiedade na adolescência não deve ser ignorada nem reduzida a “frescura”, “drama” ou simplesmente “fase”. Todo sofrimento emocional merece atenção. Se você é adolescente e tem se sentido sobrecarregado, cansado ou vivendo preocupações que parecem não ter fim, saiba que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. E se você é pai, mãe ou responsável, observe com sensibilidade. Nem sempre o sofrimento aparece de forma evidente, mas costuma deixar sinais.

Cuidar da saúde emocional é tão importante quanto cuidar do corpo. E quanto mais cedo esse cuidado acontece, maiores costumam ser as possibilidades de desenvolvimento emocional saudável e fortalecimento da autoestima.


Lilian Guedes – Psicóloga (CRP 22/458)Especialista em psicologia do adolescente e psicoterapia infantojuvenil Atendimento presencial em Salvador (BA) e online para todo o Brasil.

Quer entender como a psicoterapia pode ajudar adolescentes que convivem com ansiedade? Entre em contato.

 
 
 

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