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A influência dos amigos na adolescência: como ela pode impactar a identidade, a autolesão e o uso de álcool e drogas

  • liucrispsi
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

"Meu filho mudou depois que começou a andar com determinadas amizades." Essa é uma das preocupações mais frequentes entre pais e responsáveis. Quando o comportamento do adolescente muda, é comum que a culpa recaia sobre os amigos. Mas será que eles são realmente os responsáveis por essas transformações?

A influência dos amigos na adolescência é um aspecto natural do desenvolvimento e faz parte da construção da identidade. No entanto, dependendo do contexto, ela também pode contribuir para comportamentos de risco, como autolesão, uso de álcool, uso de drogas e outras formas de sofrimento emocional.

Por que os amigos são tão importantes na adolescência? Durante a adolescência, o jovem passa por intensas mudanças físicas, emocionais, cognitivas e sociais. É justamente nesse período que começa a construir sua identidade e buscar respostas para perguntas como: Quem eu sou? Onde pertenço? Como quero ser visto? Os amigos oferecem um espaço de identificação, apoio e pertencimento. Sentir-se aceito pelo grupo é uma necessidade importante nessa fase da vida. Além disso, o cérebro adolescente ainda está em desenvolvimento, principalmente as regiões responsáveis pelo planejamento, controle dos impulsos e tomada de decisões. Isso faz com que a opinião dos colegas tenha um peso maior do que em outras etapas do desenvolvimento.

A convivência com amigos pode favorecer o amadurecimento emocional, a autonomia e o desenvolvimento de habilidades sociais.

Quando o grupo incentiva hábitos saudáveis, respeito às diferenças e responsabilidade, ele se torna um importante fator de proteção para a saúde mental do adolescente.

O problema surge quando a necessidade de pertencimento leva o jovem a agir contra seus próprios valores apenas para ser aceito.

A autolesão na adolescência costuma gerar muitas dúvidas e preocupações.

Embora alguns adolescentes conheçam esse comportamento por meio de amigos ou das redes sociais, a autolesão não deve ser entendida como uma simples influência ou "moda. Na maioria das vezes, ela representa uma tentativa de lidar com emoções intensas, como tristeza, ansiedade, culpa, vazio, vergonha ou raiva.

Por trás da autolesão podem existir dificuldades emocionais importantes, como:

ansiedade; depressão; bullying; conflitos familiares; baixa autoestima; dificuldades na regulação emocional; experiências traumáticas.

Por isso, qualquer episódio de autolesão deve ser acolhido com seriedade e acompanhado por um profissional de saúde mental.

Amigos influenciam o consumo de álcool e drogas? A pressão do grupo pode facilitar o primeiro contato com bebidas alcoólicas e outras drogas, principalmente quando o adolescente acredita que precisa participar dessas experiências para ser aceito.

No entanto, o uso de substâncias é resultado de diversos fatores, incluindo:

curiosidade; busca por novas experiências; sofrimento emocional; baixa autoestima;

facilidade de acesso; modelos familiares; influência dos pares.

Quanto mais fortalecida estiver a identidade do adolescente, maior tende a ser sua capacidade de fazer escolhas conscientes e resistir à pressão dos colegas.

Mesmo que os amigos ocupem um espaço importante, a família continua sendo um dos principais fatores de proteção.

Pais e responsáveis podem contribuir ao: manter diálogo aberto; ouvir sem julgamentos;

estabelecer limites consistentes; demonstrar interesse pela rotina do adolescente;

conhecer seus amigos; incentivar atividades esportivas, culturais e sociais; procurar ajuda profissional quando perceberem mudanças importantes no comportamento.

Um adolescente que se sente ouvido e respeitado costuma buscar apoio na família quando enfrenta dificuldades.

É importante procurar ajuda profissional quando o adolescente apresentar:

isolamento persistente; mudanças bruscas de comportamento; automutilação;

uso frequente de álcool ou drogas; tristeza intensa; ansiedade persistente;

queda significativa no rendimento escolar; conflitos familiares frequentes;

falas sobre desesperança ou morte. A intervenção precoce reduz riscos e favorece um desenvolvimento emocional mais saudável.

Cuidar da saúde emocional na adolescência é prevenir sofrimentos maiores no futuro.


.Lilian Guedes – Psicóloga (CRP 22/458 3a R)Especialista em psicologia do adolescente e psicoterapia infantojuvenil. Atendimento presencial em Salvador (BA) e online para todo o Brasil.

Quer entender como a psicoterapia pode ajudar seu filho a atravessar esse momento? Entre em contato.


 
 
 

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